Foto: Raphael Dias, TV Globo
No início de Amor à Vida, Perséfone era apenas a “gordinha
louca pra perder a virgindade” e protagonizou cenas caricatas e
cansativas. Mas nas últimas semanas, a personagem finalmente ganhou uma
história relevante e Fabiana Karla ganhou espaço para brilhar. Bem longe
da linha comédia à qual estava acostumada, a atriz mostrou o drama das
mulheres que estão acima do peso. O par romântico com Daniel (Rodrigo
Andrade) agradou em cheio e conquistou o público.
Até aí tudo bem,é super válido abordar o preconceito sofrido
pelos gordinhos. Na escola, por exemplo, crianças mais fofinhas sofrem
bullying dos colegas, afinal, os pequenos sabem ser cruéis em alguns
momentos.
O problema é levar esse mesmo tratamento para a vida adulta.
Usar termos ofensivos pode até ser normal na infância e adolescência,
mas na vida real ninguém fala coisas do tipo “você é uma gorda ridícula”
ou “meu filho, você não combina com essa gorda”. As pessoas podem até
pensar algo assim, mas nunca vi falar na cara, sem pudor, como acontece
na novela. Se vocês já viram ou passaram por esse tipo de situação,
sintam-se à vontade para me desmentir.
Se tal comportamento ficasse restrito a Leila (Fernanda
Machado), até vá, ela é má e cruel mesmo, a julgar pela forma como
sempre tratou a irmã autista. O problema é que TODOS os personagens ao
redor de Perséfone a chamam de gorda na maior cara de pau, sem se
preocupar com os sentimentos da coitada. Até os que se dizem amigos da
enfermeira não hesitam em fazer piadinhas desrespeitosas ou dizer que
Daniel está fazendo “caridade”.
Mas no “Mundo Maravilhoso de Walcyr Carrasco” todos são
lindos e perfeitos, Perséfone é a única gordinha e por isso acaba
servindo de saco de pancadas. Ninguém ali olha pro seu rabo, não? De
todo o corpo médico do Hospital San Magno, a “gorda virgem” é a pessoa
mais pura e íntegra, incapaz de magoar os outros e disposta a tudo para
ajudar seus amigos. São essas qualidades que a tornam diferente, não o
fato de estar acima do peso.
Concordem ou não comigo, encarem esse post como um desabafo.
As cenas de discriminação a Perséfone me incomodam profundamente e não
poderia deixar de dividir isso com vocês. O que salva é o amor
verdadeiro que Daniel parece sentir pela moça, o que o fez enfrentar a
família e o preconceito dos amigos para subir ao altar com ela.
Texto de Michele Vaz Pradella
Fonte
http://www.clicrbs.com.br
CHEGA DE BULLYG
